Mulheres enfrentam desafios com capacitação, resiliência e muita dedicação

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Mulheres enfrentam desafios com capacitação, resiliência e muita dedicação

Matéria Especial: Redação Painel Logístico

Em meio a desafios e sutis avanços, profissionais do setor de logística conquistam o mercado e mostram que o conhecimento é a base para uma carreira de sucesso

Elas ocupam 38% dos cargos de liderança no Brasil e possuem os mais altos níveis de especialização. Por outro lado, o salário dos homens em funções de supervisão/coordenação, gerência e diretoria podem ser maiores em até 32%, 31% e 51%, respectivamente. O cenário retrata as contradições ainda existentes quando se trata da inserção da mulher no mercado de trabalho. Apesar de especialistas revelarem que o público feminino dispõe de níveis mais altos de eficácia e competência criativa, gerando resultados positivos para as empresas, elas seguem, por exemplo, perdendo oportunidades, após se tornarem mães. Quando se trata de setores considerados majoritariamente masculinos, como o de logística, os desafios são ainda maiores. É preciso coragem, dedicação e muita resiliência.

“Os principais desafios enfrentados pelas mulheres no mercado de trabalho incluem o preconceito, a falta de oportunidades de ascensão e a desigualdade salarial. Houve avanços significativos nos últimos anos, mas ainda há muito a ser feito, especialmente em termos de igualdade de gênero e representatividade em cargos de liderança”, aponta a gestora de Projetos da divisão logística do Grupo GPS, Bianca Brito, cuja meta é ser referência e a primeira mulher a se tornar diretora na área onde atua na empresa. O objetivo é levar ainda mais valor e inteligência às operações do Grupo.

Para conquistar o espaço almejado, Bianca acredita na importância de ser menos feminista e mais focada na demonstração de coragem e força da mulher no ramo profissional. Ela observa que enfrentar um setor majoritariamente masculino é desafiador, mas, ao mesmo tempo, também pode ser muito inspirador.

“Precisamos mostrar que somos capazes de superar qualquer obstáculo. Além disso, quando o assunto é discriminação, prefiro imaginar um posicionamento diferente. Sempre tenho uma reflexão ao entrar em uma sala de reunião com vários homens com anos de diferença e experiência. Sinto-me orgulhosa por conquistar meu lugar e confiança empresarial e social”, destaca a gestora. 

E é na capacitação que Bianca encontra o melhor caminho para enfrentar os desafios. Aliás, essa tem sido a principal estratégia das mulheres para romper as barreiras do preconceito. Dados do Capes mostram que 54,2% dos matriculados no stricto sensu são do gênero feminino. “Enfrentei os desafios da minha carreira me desenvolvendo e me aprofundando, pois sou apaixonada por servir. Isso me ajudou muito na constante curva de aprendizado com grandes referências empresariais. Minha capacidade de resolução de conflitos, habilidades de comunicação, capacidade lógica e analítica têm sido fundamentais para o meu sucesso profissional até agora”, diz. 

Ao observar o contexto atual e as necessidades de mudança, Bianca é enfática. “Quebrar barreiras de gênero não é apenas uma questão de igualdade, mas também de reconhecimento do potencial ilimitado das mulheres no mundo profissional”.

A Gerente de Negócios na Informa Markets, Estefânia Domingues, que está dedicada a finalizar o MBA de Liderança Estratégica, também acredita na constante atualização e capacitação para conquistar boas oportunidades. Esse foi o seu segredo para superar os obstáculos, além de resiliência, dedicação e bom humor. “Claro que contei com a ajuda e suporte de outros profissionais. Sem uma equipe eficiente e preparada não teria conquistado os resultados que tive. Aposto sempre na colaboração: cada um colabora com a sua melhor capacidade, com a habilidade e conhecimento que tem e, a partir da somatória desses esforços, a conquista chega, sempre”, observa.

Com mais de 16 anos de experiência em vendas, marketing, desenvolvimento de startups, gestão de projetos e planejamento estratégico, sendo 11 anos dedicados ao setor de feiras de negócios, Estefânia não vê as desigualdades de gênero como um empecilho para as mulheres seguirem com seus projetos e sua evolução profissional. “Hoje temos uma situação muito mais favorável para a participação das mulheres no cenário do trabalho. E na Informa Markets encontrei um ambiente extremamente saudável, de diálogo, equidade e respeito. Estamos em um caminho positivo e favorável às mudanças e o diálogo é fundamental”, afirma a gerente.

Ela garante, inclusive, que a questão do gênero nunca limitou a sua trajetória. Apesar de os comentários machistas ainda fazerem parte da realidade das mulheres, Estefânia garante que tais manifestações nunca impediram a sua evolução profissional. Seus próximos objetivos são crescer, aprender, aprimorar, colaborar. “Conquistei meu lugar, sem comprometer minha ética profissional e minha relação com a família. Aliás, o fato de poder exercer meu papel como profissional colaborou para eu ser uma pessoa mais completa e feliz na minha família, com meu marido e filhos. Obviamente é desafiador coordenar todas as demandas, mas é muito gratificante”. 

Qualidades

Uma pesquisa realizada pela Leadership Circle, sob a liderança da presidente e CLO (Chief Learning Officer), Cindy Adams, apontou que as mulheres pontuam significativamente mais alto em todas as dimensões criativas: elas se saem melhor com sua capacidade de “conectar e se relacionar com outras pessoas”, bem como nas competências de autenticidade e conscientização de sistemas. 

A teoria foi confirmada na prática pela responsável em América Latina pela unidade de Supply Chain Optimization na GEODIS, Lucélia Gonçalves, que atribui o seu sucesso em um setor com predominância masculina também ao relacionamento interpessoal. A executiva se considera uma pessoa capaz de navegar em diferentes grupos, áreas, construindo uma boa relação com o outro. 

“O primeiro aspecto que me levou a crescer neste mercado é que sempre fui muito dedicada, sem medir esforços para entregar o melhor. Muitas vezes eu comprava livros para estudar e entender qual era a forma mais efetiva de fazer aquilo. Me apegava aos mínimos detalhes. Dizem que o perfeccionismo atrapalha e pode mesmo atrapalhar em muitas ocasiões, mas buscar um trabalho repleto de análises, embasamentos, ideias que surgem quando você despende mais esforço, traz conhecimento apurado”, detalha a Latam Cluster Manager da Geodis, formada em Administração e com MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Segundo ela, um dos principais desafios da mulher no mercado de trabalho hoje é conciliar a rotina profissional com a pessoal, e ainda se desenvolver. Além disso, Lucélia observa que a conquista de cargos gerenciais e de diretoria ainda são uma grande objeção. Ao mesmo tempo, entende que houve uma evolução significativa nos últimos anos, especialmente com o fortalecimento da diversidade nas empresas. “Acredito que devemos investir mais em treinamentos sobre a visão positiva da inserção da mulher e outros grupos na tomada de decisão estratégica. Ampliar os horizontes com diferentes pontos de vista só agrega valor e gera resultados positivos”, menciona. 

Diante da sua trajetória, Lucélia dá um conselho para as mulheres que desejam ingressar em áreas consideradas masculinas. Em primeiro lugar, ela diria para que não tenham receio de ingressar neste mercado e, muito menos, de almejar novos desafios dentro da logística. “Eu acredito que nosso segmento é muito democrático e há espaço para todos. Além disso, o conhecimento é fundamental para qualquer segmento e não poderia ser diferente aqui. O conhecimento e o estudo trazem outras perspectivas de como melhorar sempre”. 

A gerente de Operações da Manserv Logística, Fernanda Dalagnese, compartilha das mesmas dicas para aquelas que buscam seu lugar ao sol. Ela acredita que não existe um único segredo, mas uma série de iniciativas capazes de levar as mulheres ao seu objetivo. Mais uma vez, a importância da capacitação e da dedicação vêm à tona, assim como a resiliência. “Precisamos controlar as emoções, contornar as adversidades e não deixar elas impactarem em nosso trabalho, no dia a dia. Também é fundamental não parar, não desistir, baixar a cabeça. Temos que ter ciência do que somos, do que fazemos e do que podemos contribuir. Não podemos nos acomodar, temos que estar sempre em evolução”, alerta.

Com uma trajetória profissional voltada a setores considerados masculinos, como a indústria automotiva no início da carreira e, agora, o setor de logística, Fernanda acredita que o cenário vem mudando nos últimos anos, com a presença cada vez maior de mulheres no mercado, inclusive em cargos de liderança. “Na Manserv sempre houve um respeito muito grande por parte dos gestores com suas colaboradoras. Eu, particularmente, nunca identifiquei uma desigualdade por ser mulher, sempre me senti respeitada e fui tratada da mesma forma que colegas do gênero masculino. Sempre tive apoio, confiança e o respaldo necessários para desempenhar minhas funções”, garante. 

No entanto, apesar de estar consolidada no setor, a gerente tem consciência de que o público feminino precisa de mais esforço para fisgar uma das oportunidades. “Para nós mulheres, são inúmeras as barreiras impostas pelo mercado de trabalho, especialmente no início da carreira, quando não temos a confiança necessária para desempenhar nossas funções. Eu sempre me cobrei muito e, por isso, fui em busca de conhecimento, de capacitação para conseguir me destacar e conquistar meu espaço. Nunca me acomodei e sempre mantive a régua bem alta”, finaliza. 

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